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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O GRANDE DIVALDO PISOU FEIO

Recebi um e-mail do Rafael Marcondes com o seguinte texto:

DE DIVALDO PEREIRA FRANCO "... Na cultura brasileira, remanescente do africanismo, há uma postura muito pieguista, que é a do preto velho. E muitas pessoas acham que é sintoma de boa mediunidade ser intrumento de preto velho. Quando lhe explicamos que não há pretos velhos, nem brancos velhos, que todos são Espíritos, ficam muito magoadas, dizendo que nós, espíritas, não gostamos de pretos velhos. E lhes explicamos que não é o gostar ou não gostar. Se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado. Imagine o Espírito que manquejava na Terra, porque teve uma perna amputada, ter de aparecer somente com a perna amputada. Ele pode aparecer conforme queira, para fazer-se identificar, não que seja o seu estado espiritual. Quando, ao retornar à Pátria da Verdade, com os conhecimentos das suas múltiplas reencarnações anteriores, pode apresentar-se conforme lhe aprouver.Então, a questão do preto velho é um fenômeno de natureza animista africanista, de natureza piegas. Porque nós achamos que o fato de ter sido preto e velho, tem que ser Espírito bom, e não é. Pois houve muito preto velho escravo que era mau, tão cruel quanto o branco, insidioso e venal. E também houve e há muito branco velho que é venal, é indigno e corrompido. O fato de ter sido branco ou preto não quer dizer que seja um Espírito bom.Cabe ao médium ter cuidado com esses atavismos, e quando esses Espíritos vierem falando errado, ou mantendo os cacoetes característicos das reencarnações passadas, aclarar-lhes quanto à desnecessidade disso. Porque se em verdade, o preto velho quer falar em nagô, que fale em nagô, mas que não fale um enrolado que não é coisa nenhuma. Ou, se a entidade foi alemã na Terra e não logre falar o idioma do médium, que fale alemão, mas que não fale um falso alemão para impressionar. O médium só poderá falar o idioma no qual ele já reencarnou em alguma experiência passada.Desde que não há milagres nem sobrenatural, o médium é um instrumento. Sendo a mediunidade um fenômeno orgânico, o Espírito desencarnado vai utilizar o que encontre arquivado no psiquismo do médium, para que isto venha à baila." O trecho acima é extrato de um ensaio do médium espírita Divaldo Pereira Franco, que tem como título "Consciência" .

Resposta:

O Pai Maneco diz que humildade é não julgar os outros, entretanto o médium e conferencista Divaldo Pereira Franco julgou com muita prepotência a figura da maravilhosa entidade da Umbanda, o preto-velho, marca da religião e por todos nós amado. Nunca gostei do padre Quevedo pela sua mania de querer desmoralizar o espiritismo. Não entendia qual a razão dessa intromissão no espiritismo. Conclui que o espiritismo estava crescendo e isso aborrecia o padre. Lamento que uma figura tão importante no espiritismo tenha procedido da mesma forma. Como antes, estou agora sem entender a razão desses comentários. Talvez porque a Umbanda esteja crescendo na sociedade brasileira.

O médium, ao contrário do que diz o Divaldo, é um parceiro do espírito comunicante. Essa mistura é que às vezes faz a terceira força criada pelos espíritos do médium e do comunicante misturar os idiomas.

Lamentável a forma grosseira que o até então respeitoso médium usou para achincalhar uma religião nova e brasileira com fundamentos próprios e ditados por pessoas nascidas no Brasil.

Não vou criticar o conferencista kardecista, mas nesses momentos é que sinto a falta do Chico Xavier, o maior médium do espiritismo tradicional e o grande Gerador da Caridade e Humildade do Mundo Espiritual.

8 comentários:

  1. Realmente Divaldo foi muito infeliz na sua opinião.
    Ele tendo tanta cultura e sabedoria no que diz respeito ao espiritismo. Sabendo ele que o espírito é eterno e milenar. Pode-se sim naturalmente se revestir perispiritualmente de uma foma de preto velho para trabalhar na caridade terrena. Claro! Tendo esse espírito um dia sendo um preto em uma de suas encarnações.
    Hoje percebo o porque numa visita em Uberada, eu e meu esposo, conversando com o filho de Chico Xavier, Eurípedes. mencionando o nome de Divaldo, ele não fez boa cara.
    Mas acredito que com o passar dos anos, nossas maravilhosas entidades na Umbanda, sejam reconhecidas como pontos de luz, nessa terra tão carente de amor e caridade.
    Axé.

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  2. Olá Pai Fernando !
    Parabéns pelo Blog !
    Eu vi o vídeo e li o texto.

    Isso mostra claramente que os ( alguns ) espiritas não conhecem nada de Umbanda e sua atmosfera espiritual.
    Demonstra que os Umbandistas e outros do mesmo nicho devem olhar para os estudo kardecista também com mais responsabilidade para não cair nesse mesmo erro, ao julgar certo suas interpretações ; nos traz uma reflexão para que ao utilizarmos as crenças de outras verves termos o cuidado necessário para não ferí-los e por fim, temos que analisar o texto de Divaldo não com revolta e radicalismo preconceituosos, e sim com a capacidade em rever nossos proprios conceitos ao seguir nossa religião, mesmo salpicada de ensinamentos kardecistas e elementos religiosos diversos que muitas vezes são repassados de forma equivocada estabelecendo distorções com outros segmentos religiosos.Saravá !

    Mauro Monteiro - RJ

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  3. Lá no início do Velho Testamento,onde contam a história de Adão e Eva no Paraíso, está escrito que Deus permitia que se comesse os frutos da vida,mas era terminantemente proibido o consumo das frutas do conhecimento do bem e do mal.Pois bem,depois de consumida a bendita fruta provoca seus "males" até hoje.
    Se houver um livro, lá no plano espiritual, onde constem todas as religiões sem dúvida alguma a Umbanda poderia ter traçado um paralelo com o arquétipo do fruto da vida. Quem já leu sobre o início da Umbanda sabe bem que ela surgiu como uma religião simples, sem aparentemente grandes pretensões, a não ser a de trazer um equilibrio maior e um alívio aos problemas que enfrentamos neste plano. Nestes cem anos quem não se deu conta de que os trabalhos fabulosos dos pretos velhos, dos caboclos e das crianças são a expressão da grandiosidade do plano espiritual, traduzidas em sabedoria,determinação e humildade ao alcance de qualquer ser humano com qualquer nível de instrução, tem perdido o melhor que a vida umbandista pode oferecer.
    Acredito que para o sr. Divaldo, de grande conhecimento e discernimento, seja muitissimo difícil enxergar as várias nuances do mundo espiritual que a Umbanda nos oferece, justamente pelo fato de que por sua inteligencia e o seu orgulho por tê-la tenha que constantemente separar as coisas em boas e más.Esta é mais uma boa lição para nós. Nós Umbandistas temos sim que acender velas aos pretos e pretas pra que dêem ao sr. Divaldo a oportunidade de conhecer a humildade ainda em vida, pois de qualquer forma do outro lado muito lhe será revelado.Axé pra ele.

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  4. Mucuiu Pai Fernando!
    Obrigada por nos presentear com mais liçoes de amor e aprendizado!

    Quanto ao texto do sr Divaldo, fico decepcionada.
    Nao deveria uma pessoa com a responsabilidade de levar conhecimentos espiritualistas a massa, escrever textos preconceituosos e ate mesmo ironico contra quem quer que seja.

    Para mim fica uma liçao: Ficar sempre atenta!
    Nao permitir ao longo da minha caminhada espiritual, que esta apenas começando, atropelar-me pelo orgulho e julgamento ao proximo. Pois estas sao pedras ao longo do caminho de todo medium, sem exceçoes.

    Rogo principalmente aos amados Pretos velhos, com a Sua sabedoria, que me auxiliem, mostrando-me o caminho da humildade, pois como medium, mero instrumento da espiritualidade que sou; e sendo a minha mediunidade um fenomeno organico, que consiga forças para me livrar de possiveis preconceitos arquivados no meu psiquismo e que poderao me desvirtuar do caminho que verdadeiramente desejo traçar.

    Sarava meu Preto!
    Sarava meu Branco!
    Sarava Umbanda!

    Aline Ferignac

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  5. Ha muitas formas de se pepetuar o colonialismo
    e controlar a autonomia de um povo.
    Desvalorizar-se a cultura ou a religião
    e criar formas diversas de dependência
    é mais eficaz que um exército...

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  6. Aprendi com Mãe Maria e a linha dos caboclos que não temos como fugir de julgar, pois é assim que determinamos o bem e o mal para nós. O que não devemos fazer é condenar. Não emitir sentenças, pois não temos conhecimento do todo para faze-lo. E nessa discução estamos nós sentenciando Divaldo assim como ele sentenciou os Pretos. A senteça dele é baseada no conhecimento do esperistimos Kardecista e sem conhecimento da Umbanda. Por certo ele não conece nossa religião como nós. Assim como muitos de nós não conhecemos a dele como ele. E ambos julgamos e sentenciamos erroneamente. A Opinião dele é totalmente válida dentro do Kardecismo, logo para ele e para os que segue o Kardecismo é uma opinião válida. Para nós Umbandistas não faz sentido algum, e é exatamente por isso que eles são Kardecistas e nós Umbandistas. Cabe a todos nós, de ambos os lados nos respeitarmos, usarmos de compreenção e bom censo, para aproveitar o que nos é valido e relevarmos o que não nos cabe. Afinal uma das diretrizes das duas religiões, até onde sei, é o respeito a todos e a tudo como filhos de um único Pai: DEUS.

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  7. Mukuiú Pai Fernando.

    Em todos os segmentos religiosos existem pessoas arrogantes e preconceituosas e o espiritismo não é exceção.
    Infelizmente muitos ainda conservam a velha visão “eurocêntrica” (comum na época de Allan Kardec), e ainda mantém uma opinião muito particular do que significava ser “evoluído”.
    Mesmo considerando o peso da época alguns textos de Kardec deixam transparecer em algumas passagens uma certa condescendência constrangedora com o que ele chama de irmãos "selvagens" e "menos evoluídos".
    A própria Codificação da Doutrina Espírita, em alguns textos, carrega o peso do preconceito:

    “Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados” (Allan Kardec – A Gênese).

    Ou, ainda em Obras Póstumas, quando trata da “Teoria da beleza”: “O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas não é belo no sentido absoluto, porque os seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem bem exprimir paixões violentas, mas não saberiam se prestar às nuanças delicadas dos sentimentos e às modulações de um espírito fino”.

    “Os negros, pois, como organização física, serão sempre os mesmos; como Espíritos, sem dúvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa;" (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862.

    Segundo alguns espíritas como Moab José de Araújo e Sousa, alguns conceitos contidos nas obras básicas da doutrina espírita necessitam ser atualizados em caráter de urgência, pois apesar de Kardec ter deixado uma inestimável contribuição ao pensamento humano, ele sofreu as limitações impostas pela época em que viveu, pensou e escreveu.
    Eu consigo entender que um europeu do século dezenove tivesse esse tipo de visão, pois não tinha parâmetros e conhecimento para avaliar outras culturas.
    O que eu acho inadmissível é que ainda hoje, tais conceitos permaneçam nitidamente presentes em textos como esse do Sr Divaldo Pereira Franco...francamente acho que ele precisa rever seus conceitos.
    Axé!

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  8. Relendo o que Divaldo me escreveu lembrei-me de Gandhi... Este homem santo apos vencer a desconfiança e as divisôes internas e até a grande Inglaterra em um enfretamento não-violento viu a arrogancia e ganancia criar nova divisâo dentro de seu próprio país.
    Mas, apesar do golpe que sentiu, resistiu e ainda hoje aprendemos com a filosofia da nao-violência.

    Depois de um ano de tantas vitorias, mas nao ha colonizacao que resista ao aos sabios negros , as crianças puras e impertinentes e ao índio valente !
    Se nao fosse assim, nao haveria o Brasil!

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